Frenesi Estático (corrompida_0000) - Vitória Cribb

Som por Marcelo Mudou
Sound by

Texto por Germano Dushá
Text by

12/11/2020 11h 59m 30s

Frenesi Estático (corrompida_0000) apresenta uma instalação composta pela aparição de representações de corpas femininas, acompanhada pela estranheza de um som em deslizamento constante. Entre figuras de partes do corpo e a abstração da substância: rostos, torsos e membros descobertos vão se aglutinando, confundindo-se entre si e justapondo-se a massas de natureza indefinida. A partir do disparo aleatório de fragmentos, a sequência de imagens forma composições simbióticas que nunca se repetem, conferindo novo tônus muscular-imagético a cada combinatória. Como um ritual de inscrições que vão marcando, sumindo e reaparecendo no arquivo visual, e cuja operação se dá fora de qualquer ordem que não a espontaneidade do algoritmo.

Embora designadamente estáticas em sua constituição técnica, em seu conteúdo as imagens funcionam como índices de movimento, anunciando a urgência da expansão do espaço, dos pontos de fuga. O magnetismo da forma nos provoca num drama randômico contínuo; a cada lance, um jogo de corpo, diferentes densidades e texturas, mas a mesma tensão, a mesma dinâmica entre o incômodo nevrálgico e a erupção, entre o congelamento inerente e o irrompimento.

Originalmente concebidas como uma série para circular em grandes redes sociais, essas imagens digitais tinham como objetivo inicial também experimentar os mecanismos de impulsionamento e censura de informação sob os quais esses espaços de sociabilidade hoje se dão, sobretudo no que tange à hipersexualização e restrição da nudez feminina. Agora, seus contornos e coreografias tomam lugar numa sala escura e isolada, iluminada apenas pela tela de quem vê.

Static Frenzy (corrupted_0000) presents an installation composed by the appearance of representations of feminine bodies, and accompanied by the strangeness of a sound in constant sliding. Between figures of parts of the body and the abstraction of the substance: uncovered faces, torsos and limbs come together, merging with each other and juxtaposing themselves to masses of an indefinite nature. From the random firing of fragments, the sequence of images forms symbiotic compositions that never repeat themselves, giving new muscle-imagery tone to each combination. Like a ritual of inscriptions that mark, disappear and reappear in the visual file, and whose operation takes place outside any order other than the spontaneity of the algorithm.

Although static in their technical constitution, the images function as indexes of movement in their content, announcing the urgency of expanding space, of vanishing points. The magnetism of form provokes us in a random and continuous drama; with each move, comes a body game, one of different densities and textures, but the same tension, the same dynamics between the nerve unsettling and the eruption, between the inherent freezing and the eruption.

Originally conceived as a series to circulate on mainstream social networks, these digital images were also intended to fuel an experiment involving the mechanisms of information boosting and censorship under which these spaces of socialization run nowadays, especially concerning the hypersexualization and restrictions of female nudity. Now, its contours and choreography take place in a dark and isolated room, lit only by the viewer's screen.